SEXTA
Sexta de uma infinita razão
anunciada pelos profetas enraizada na certeza da partilha de um caminhar firme
que segue em passos lentos rumo a direção desse amor verdadeiro, amor este tão
suave, parece que veio ajudar o caminheiro a aliviar as dores das chicotadas,
dos insultos dos poderosos e da ganância de um grupo tomado pelo ódio.
Sexta dos enfermos, paralíticos, cegos,
famintos, da multiplicação dos pães, do lava pés, da samaritana, de Madalena,
Verônica, João Batista, de Lázaro, de Maria e José, dos apóstolos e do mundo. Por
todos esses aprendizes essa Paixão se tornou símbolo de martírio, entrega viva
de uma vida simples que através de poucas palavras cativava os que estavam à
beira da margem existencial.
Sexta dos sem tetos,
desempregados, humilhados, drogados, dos que lutam por justiça, paz, dos que atravessam
o mar da Grécia para um destino incerto na Europa, dos índios expulsos de suas
terras, das crianças de rua, da seca que devasta o sertão, de Mariana mineira
que luta pela vida do seu povo e de seu rio e por todos nós pecadores.
Sexta do esquecimento de muitos
onde o silencio deveria prevalecer, no qual é transformado em momento de lazer,
banquetes e bebedeiras, será que fazendo esse tipo de ação viramos nossas
costas como fizeram os fariseus, doutores da lei, o povo que gritava Hosana ao
Filho de Davi que mais adiante disseram crucifica-o.
Sexta do maior amor da terra que
nunca foi mensurado que transpassa a eternidade de uma partilha transformada em
serviço pelo bem da humanidade, pelo desejo único de salvar os pequeninos e nos
mostrar a verdadeira essência do viver. Tudo passa pela cruz, a morte foi
vencida e a vida anunciada que só tem um nome JESUS.
Luiz Rogean.